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DESCE a névoa da montanha,
Desce ou nasce ou não sei quê...
Minha alma é a tudo estranha,
Quando vê, vê que não vê.
Mais vale a névoa que a vida...
Desce, ou sobe: en fim, existe.
E eu não sei em que consiste
Ter a emoção por vivida,
E, sem querer, estou triste.
(2.9.1935)
CAE niebla de la montaña,
Baja o nace o no sé qué...
Tengo un alma a toda extraña,
Cuando ve, ve que no ve.
Más vale niebla que vida...
Baja, o sube: En fin, existe.
Y yo no sé en qué consiste
Dar la emoción por vivida,
Y, sin querer, estoy triste.
Fernando Pessoa, Noventa poemas últimos (1930-1935), Traducción de Ángel Crespo.

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